Especialista em saúde esclarece dúvidas sobre o coronavírus na Nossa Tarde é Show

Desde dezembro, o surto de Covid-19, também conhecido como epidemia de pneumonia por novo coronavírus tem causado um grande alarde em todo o mundo. Iniciada na cidade de Wuhan, uma das maiores cidades da China, a doença tem assustado pela rapidez de sua transmissão.

Enquanto que o Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que causou uma epidemia entre 2002 e 2003, demorando três meses para infectar pessoas fora da China, o novo coronavírus infectou pessoas fora do país asiático em apenas um mês.

Para explicar a respeito do coronavírus Covid-19 e esclarecer as principais dúvidas a respeito da doença, o professor Luciano Reolon, gerente da escola de ciência da saúde do Centro Universitário FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) de São Paulo, teve um bate-papo com o locutor Eli Santos na Nossa Rádio.

O especialista visitou o estúdio da emissora no Centro da capital paulista, no dia 10 de fevereiro, e foi o destaque do Programa “Nossa Tarde é Show”, respondendo questões de ouvintes.

Avanço assustador

O professor Luciano Reolon fez uma comparação com as epidemias causadas por coronavírus provocando a Sars (entre 2002 e 2003) e os casos mais recentes de Codvid-19.

A Sars teve mais de 8 mil infectados e cerca de 800 óbitos, algo em torno de 10% das contaminações. Já o Codvid-19 contaminou cerca de 40 mil infectados em um mês, com uma mortalidade na faixa de 2% a 2,5%. Apesar de ser menos mortal, a nova doença provocada pelo coronavírus é muito mais contagiosa. Para se ter ideia, a doença contamina até quando o paciente não apresenta sintomas, o que tem sido um grande desafio para os pesquisadores da área médica”, exclama.

No início de fevereiro, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, declarou que acha que o Codvid-19 possa chegar ao Brasil. Porém, para ele, se o coronavírus tiver o mesmo comportamento que tem tido no exterior, o país não deverá ter um número grande de casos.

Reolon ressalta que, para evitar o contágio com a nova doença, o governo brasileiro segue o protocolo da OMS (Organização Mundial da Saúde), que define que pessoas que vieram da China nas duas semanas que apresentem febre e sintomas respiratórios podem ser consideradas com suspeita. nesses casos, essas pessoas serão monitoradas.

Por isso, evite viagens para a China. Muitas empresas com filiais na China têm evitado a viagem de funcionários. Procure não viajar neste momento para lá”, aconselha.

Em relação aos 34 brasileiros que moravam na China e os 24 tripulantes que estavam com eles na viagem de retorno ao Brasil, nenhum apresentou sintomas no intervalo de quarentena. Eles estão sendo monitorados em Anápolis, em Goiás.

A população de Goiás não precisa se preocupar. Ninguém apresenta sinais de contaminação e o governo brasileiro tem se preparado contra a doença”, complementa o especialista.

Importantes orientações

O professor Luciano Reolon explica que a identificação de contaminação do coronavírus Codvid-19 seguem dois tipos de critérios.

Os critérios clínicos analisam os sintomas, que são febre, tosse, coriza e dificuldades de respirar. Já o scritérios epidemológicos analisam se a pessoa viajou para a China ou teve contato com alguém suspeito de infecção. Quem se enquadrar nesses critérios deve procurar uma unidade de saúde. O local segue o protocolo da OMS para a doença. A partir daí, os profissionais de saúde buscam o diagnóstico”, explana.

Os grupos de maiores riscos de contaminação são crianças, idosos, gestantes e portadores de doenças crônicas. As pessoas de baixa imunidade são bastante suscetíveis à doença. Mesmo assim, todas as pessoas devem tomar cuidados preventivos, como destaca o especialista.

São Paulo é uma porta de entrada e grande circulação de pessoas. Por isso, ressaltamos cuidados. A informação é importante. Não podemos ter pânico em relação ao coronavírus, mas ter precauções, principalmente com ações bastante simples no dia a dia”, afirma.

Reolon salienta que uma forma eficaz de se prevenir contra o coronavírus e que também serve para outras doenças respiratórias é adotar a chamada etiqueta respiratória. Os procedimentos são os seguintes:

- Lave sempre as mãos. Se não puder lavar imediatamente, passe nas mãos o álcool gel dermatológico;

- Evite tocar os olhos, boca e nariz após contato com superfícies;

- Proteja boca e nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar e descarte o lenço usado. Se não tiver lenço, tussa ou espirre em seu antebraço, jamais em suas mãos, que são vias comuns de contaminação;

- Mantenha os ambientes ventilados;

- Mantenha-se distante de locais com aglomerações de pessoas;

- Evite sair de casa quando estiver com sintomas de gripe;

- Procure o serviço de saúde se estiver com sintomas, como febre, tosse, coriza, dor muscular e dor de cabeça.

Com a epidemia de Codvid-19, a procura por máscaras cirúrgicas tem crescido de forma significativa. O uso dessas máscaras devem acontecer em situações especiais. “Ela evita que gotícula que o usuário expele saia e contamine outras pessoas”, informa Reolon.

O especialista também recomenda não compartilhar copos e outros objetos que utilizar, além de evitar contato com pessoas que apresentem sintomas de gripe.

Além dessas orientações, Reolon também aconselha tomar vacina.

Muita gente tem receio de se vacinar. Mas, ela é fundamental para evitar doenças. Tem que manter o calendário de vacinação em dia”, reforça. “Outra recomendação é que as pessoas têm que manter hábitos saudáveis”, completa.

Em relação a uma vacina contra o Codvid-19, Reolon é otimista. “Como os demais vírus, o coronavírus sempre passa por mutações. Acreditamos que entre seis meses e um ano o mundo tenha uma vacina, mas depende do comportamento de mutação do coronavírus”, pontua.

O governo do estado de São Paulo criou um site com informações importantes e orientações sobre o coronavírus. Acesse o portal http://saopaulo.sp.gov.br/coronavirus.