Frigoríficos são investigados pela Polícia Federal

17/03/2017

Por: Redação

A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira (17) uma operação para investigar a atuação de frigoríficos na venda de carne fora do prazo de validade. As irregularidades teriam a participação de fiscais federais.

Em uma das escutas realizadas com autorização da justiça, um funcionário, que não teve o nome revelado, conversa com o gerente do frigorifico da empresa JBS, Luiz Fossati, e fala sobre o processamento de alimentos.

A alteração da carne – que na gravação tem o nome de “CMS” – é debatida entre os funcionários. “O problema é colocar papelão lá dentro do “CMS” [carne – segundo as escutas da Polícia Federal]. Vou ver se eu consigo colocar em papelão. Agora, se eu não conseguir, eu vou condenar”, disse o trabalhador, que não teve o nome revelado.

De acordo com a apuração da Operação “Carne Fraca”, que levou dois anos, fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, que atuavam nas empresas, recebiam propina para liberar os produtos irregulares.

Os agentes cumpriram 309 mandatos de prisão e condução coercitiva, quando as pessoas são levadas para prestar depoimento, nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Goiás. A ação de combate as irregularidades também foram realizadas no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Essa foi a maior operação realizada em toda a história do Brasil.

O delegado da Polícia Federal, Maurício Moscardi Grillo, explicou que ainda não é possível dimensionar o valor recebido pelos servidores, que podem ter sido revertido para partidos políticos.

Até o início da tarde, dos 34 funcionários públicos federais investigados, 20 servidores foram presos. Três frigoríficos também foram interditados, segundo o governo.

Em nota, a JBS declarou que a empresa e suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior.